Lula defende a soberania do Brasil: China se posiciona como estratégia para blindar o sistema multilateral de comércio em resposta ao novo tarifaço de 25% imposto por Trump

Por Fernanda Gomes da redação sucursal do imprensa livre em Brasília
Em resposta direta ao novo tarifaço de 25% imposto pela gestão de Donald Trump aos produtos brasileiros (alegando supostas "práticas desleais" envolvendo o Pix e o etanol), a China agiu rápido para se posicionar como a principal alternativa estratégica do Brasil.
O Ministério das Relações Exteriores chinês sinalizou formalmente o desejo de ampliar a cooperação bilateral e criar uma espécie de aliança comercial para blindar o sistema multilateral de comércio (tendo a OMC como núcleo) contra as barreiras de Washington.
Para além do discurso político, a aproximação veio acompanhada de um aceno comercial de peso:
A China anunciou o reconhecimento de todo o território brasileiro como livre da febre aftosa, retirando de vez restrições históricas e abrindo as portas para uma expansão massiva das exportações de carne bovina.
O movimento chinês ganha ainda mais sentido diante dos bastidores que vieram a público.
A Casa Branca enviou uma carta de exigências sugerindo que poderia reverter ou mitigar o tarifaço, mas sob condições severas.
Trump exigia, entre outras coisas que o Brasil criasse barreiras contra investimentos e tecnologias da China e zerasse tarifas de importação para o etanol e aviões comerciais vindos dos EUA.
Como Lula rejeitou ceder a essa ingerência nas suas decisões de soberania e comércio, a China aproveitou a brecha para estreitar os laços.
Embora o apoio de Pequim seja um alento imediato para escoar a produção que deixa de ir para os EUA, há visões divergentes dentro do próprio governo federal e entre analistas econômicos sobre até onde o Brasil deve ir nessa órbita.
Abertura total para a carne e ampliação de commodities em um mercado de 1,4 bilhão de consumidores.
A China já compra quase 30% de tudo que o Brasil exporta.
Concentrar ainda mais os ovos na mesma cesta traz riscos fiscais a longo prazo.
Enquanto o chanceler Mauro Vieira classificou a postura dos EUA como "inaceitável e ofensiva", o Brasil tenta equilibrar a sua soberania econômica.
A aproximação com Pequim é inevitável para compensar as perdas com Washington, mas exige cautela para que o país não vire apenas um peão na guerra comercial entre as duas maiores potências do planeta.
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